25.5.09

Pénis Tatuado, por Ana de Amsterdam

«Pela manhã, no comboio que vem de Alverca, uma mãe gabava a duas companheiras de viagem a tatuagem que o seu Leandro Miguel fizera no pénis. Linda, assegurava, assim tribal a fazer lembrar aquelas tribos da Indonésia, Polinésia ou lá o que é que é. As outras davam gargalhadinhas nervosas. A mulher devia ter uns quarenta e cinco anos e falava com entusiasmo do seu filho Leandro Miguel. Também tinha um piercing na língua. Usava as calças muito largas. Só queria roupa de marca. O boné custara-lhe quarenta e cinco euros. Os últimos ténis quase cento e vinte. Tinha dois brilhantes nas orelhas. Às vezes, para desenjoar, tirava os brilhantes e colocava umas argolas de ouro branco. Não era bom aluno. Isso, porém, não parecia preocupar a mãe. Que o filho fosse medíocre como ela própria era algo que parecia quase confortá-la. Por fim, em jeito de remate, para mostrar que era uma mãe modernaça, muito prá-frentex, que comungava dos interesses do filho, mostrou a tatuagem que fizera no tornozelo. Um golfinho saltando nas águas do mar. Uma beleza.
(Custa-me reconhecê-lo, mas o CDS tem muita razão naquilo que diz em relação à polémica da distribuição de preservativos. Compete às família, pobres, ricas, remediadas, e não à escola educar os filhos. Compete às famílias e não à escola assegurar que os miúdos tomam as precauções necessárias quando iniciam uma vida sexual activa. Compete às famílias explicar que o sexo não se inicia aos doze, nem aos treze, nem aos quinze anos e que quem o pratica corre riscos. Quem não quer educar os filhos, quem não está para os acompanhar, não os deve ter. Se o Leandro Miguel quiser foder, com o seu pénis tatuado, as feiosas todas do 10º ano da escola secundária da Arrentela que o faça. Se engravidar uma Bruna ou uma Micaela Cristina, cujo sonho secreto é participar numa novela da TVI ou ser capa da Maxmen, que engravide. Se apanhar uma doença infecto-contagiosa e morrer antes dos vinte e cinco é uma sorte para todos nós.) »
ANA DE AMSTERDAM

1 comentário:

marteodora disse...

Infelizmente este post é de um realismo BRUTAL!
E, de facto, em casa e na família é que tudo começa: regras, disciplina, boa educação e...perdoem-me a sinceridade, um par de estalos ou uma palmada no rabo, na medida e hora certas.
Como dizem as avós do meu filho, mais vale ele chorar, do que, mais tarde, chorarmos nós!
Porém, infelizmente, vivemos numa sociedade na qual os Papás, ao invés de defenderem sempre os professores dos seus filhos (mesmo que não tenham razão) preferem dizer mal deles na frente, repito, na frente dos seus pobres filhotes injustiçados, que, por perturbarem uma aula, foram mandados, repito mandados calar pelo professor. O professor de hoje tem de pedir POr Favor, e quase de joelhos, que os meninos se calem para que a aula possa continuar.
Caso contrário habilita-se a um motim na sua propria sala de aula (com direito a gravação video/áudio) de um telemóvel topo de gama, ou então a uma manifestação parental, durante a qual se sujeita aos maiores impropérios e, pior, à presença em directo da TVI, à sexta-feira!
E pior, a uma suspensão por parte do ME, que entenderá, que face ao problema, o Conselho Executivo, não terá tomado as medidas adequadas.
E assim reinam a educação (em casa e na escola) e os filhos dela no nosso Portugal!