14.6.10

Copla 1




Já viram um homem em pêlo

Sair de repente da casa de banho

Escorrendo por todos os pêlos

Com o bigode cheio de pena

Já viram um homem muito feio

A comer esparguete

Garfo em punho e ar de bruto

Com molho de tomate no colete

Quando são bonitos são idiotas

Quando são velhos são horríveis

Quando são pequenos são maus

Já viram um homem gordo à beça

Extrair as pernas do ó-ó

Massajar a barriga e coçar as guedelhas

Olhando pensativo para os pés



Refrão 1



Não se casem raparigas não se casem

Façam antes cinema

Fiquem virgens em casa do papá

Sejam serventes no carvoeiro

Criem macacos criem gatos

Levantem a pata na Ópera

Vendam caixas de chocolate

Professem ou não professem

Dancem em pêlo para os gagás

Sejam matadoras na avenida do Bois

Mas não se casem raparigas

Não se casem



Copla 2



Já viram um homem à rasca

Chegar tarde para o jantar

Com baton no colarinho

E tremeliques nas gâmbias

Já viram no cabaret

Um senhor não muito fresco

Roçar-se com insistência

Numa florzinha de inocência

Quando são burros aborrecem

Quando são fortes fazem sports

Quando são ricos guardam o milho

Quando são duros torturam

Já viram ao vosso braço pendurado

Um magrizela de olhos de rato

Frisar os três pêlos do bigode

E empertigar-se com um ar de bode



Refrão 2



Não se casem raparigas não se casem

Vistam os vossos vestidos de gala

Vão dançar ao Olímpia

Mudem de amante quatro vezes por mês

Peguem na massa e guardem-na

Escondam-na fresca debaixo do colchão

Aos cinquenta anos pode servir

Para sacar belos rapazes

Nada na cabeça tudo nos braços

Ah que bela vida será

Se não se casarem raparigas

Se não se casarem



Boris Vian, in "Canções e Poemas"

Tradução de Irene Freire Nunes / Fernando Cabral Martins

1 comentário:

marteodora disse...

Eh lá... inspirada...