25.10.10

Just one more splash! - em memória dos tempos passados nas antigas piscinas municipais de Torres Novas

(esta foto não é muito boa, mas foi a única que encontrei no google)


«Tu que me conheces e sabes
que eu não vou parar
domingo na desbunda
escola na segunda nãaaaooo!!
as férias tão aí siiiim!!...
Black company, não sabe nadar yô!»*


Em Junho, mal acabavam as aulas, o programa de férias estava traçado: piscinas municipais de Torres Novas.
O ticket de entrada neste paraíso do Verão torrejano comprava-se no guichet da bilheteira, ao Sr. Isaque. Podia-se comprar o bilhete para a piscina ou só para a esplanada. A esplanada era, simplesmente, catita (que é como quem diz, simpática e muito agradável). Havia um barzinho que vendia tudo o que se deseja comer em férias (gelados, gomas, bolos, sumos, 7up, coca-colas, cerveja, cafezinho…) e depois a grande esplanada: parte, debaixo de um alpendre; parte à torreira do sol, protegida por meia dúzia de chapéus-de-sol coloridos. A esplanada estava quase em cima das piscinas, havia apenas um murozinho baixo que separava as diferentes zonas. Era fácil saltá-lo, mais simples ainda era ficar uns do lado da esplanada outros empoleirados no muro a conversar ou a comer. Sim, a comer. É que na zona da piscina era expressamente «proibido comer, beber, fumar ou andar calçado». Pelo menos era o que o altifalante anunciava de x em x horas. Além disto, pelo megafone colocado na parede exterior dos balneários femininos, advertia-se com frequência os banhistas de que «o duche inicial é obrigatório». O único calçado permitido era o chinelinho, claro! Que nos levava a percorrer de lés-a-lés aquelas instalações de piso de calçada portuguesa.
Com a senha de entrada na mão, caso a intenção fosse ir para a zona das piscinas, entrava-se na zona dos. Entregavam-nos, então, um cabide em arame, moldado em várias zonas de arrumação: roupa e sapatos. Após a muda de roupa, esta cruzeta era entregue a uma funcionária numa área de bengaleiro, onde ficavam guardados todos os nossos haveres. Do cabide destacava-se um alfinete que tinha um número que o identificava. Espetava-se o alfinete do fato-de-banho e, mais tarde, à saída da piscina entregava-se à funcionária para que pudesse descobrir a nossa roupa entre as dezenas e dezenas de cabides pendurados.
As piscinas municipais constituíam um autêntico complexo de veraneio. Havia uma piscina para as crianças, cercada por uma grade que assegurava que nenhum gandulo se atirasse para a zona infantil. Havia depois duas piscinas de 25m, uma exterior e, a outra, interior. Esta última, embora coberta, no Verão perdia as “vidraças” laterais e ficava assim, aberta, com uma vista sublime, entre as arcadas dos vidros (que eram plásticos), para o castelo. Além destas, existia ainda a grande piscina dos saltos. Nesta estava a prancha dos saltos para a água, naquela altura uma modalidade com reputação e fama na terra e cujos atletas nacionais com frequência visitavam Torres Novas para a execução de provas. Para nós, as pranchas representavam a superação de outro tipo de provas: o medo, a integração no grupo de amigos, a observação dos rapazes mais giros e audazes. O mais alto que saltei foi da primeira prancha. Já não foi mau. Já não fiquei mal vista. Para uma rapariga já era considerado bom! Em cada mergulho desaparecíamos durante uns segundos, embrulhados lá no fundo da água…
Além dos splashs, toda um panóplia de brincadeiras aquáticas, entre as quais se destacam as estúpidas «amonas» (palavra que não consta no dicionário da língua portuguesa, mas que existe na gíria e designa uma espécie de afogamento provocado por outrem sobre um indivíduo, pressionando-lhe as mãos na cabeça… muito divertido!), as cambalhotas e os vertiginosos mortais (que eu não sabia fazer).
Os anos em que mais frequentei as piscinas, durante o Verão, foram aqueles em que eu deveria ter entre 11 e 13 anos. Estamos a falar, portanto, nos anos 1993-1995. Eram tempos em que as piscinas se enchiam, completamente: a esplanada, as cadeiras das piscinas (em fitas de plástico coloridas), a água azul dos tanques, todas as áreas ficavam repletas de gente, sobretudo de jovens como nós para quem aquele era o maior divertimento do Verão torrejano. À terça-feira, dia de praça, era o dia mais concorrido. Os miúdos das aldeias também vinham e o ambiente ficava ainda mais composto. Mas as piscinas não eram frequentadas apenas por jovens. Havia gente de todas as idades e aos fins-de-semana era comum ir-se às piscinas em família.
Durante a semana, entre a juventude, era mesmo uma grande farra! Faziam-se novos amigos, reforçavam-se as amizades mais antigas, arranjavam-se uns namoricos e acabavam-se outros. Acontecia de tudo naquelas piscinas, o que não seria de espantar se juntando os factores calor, juventude, férias, mergulhos! O que se podia esperar? Que estivéssemos fechados em casa? Nãaaa… A hora de ficar em casa deitados no sofá a ver séries na TV era mais tarde, à hora do Baywatch ou do Príncipe de Bel-Air.
No final do dia, eram as despedidas e, muitas vezes, o «Até logo. Vemo-nos na Praça.» Num desses fins de tarde, apesar da presença do meu aparelho dentário (sim, eu usava um nessa altura), aconteceu o meu primeiro beijo.

«"Hold me darlin just a little while."
I held her close,
I kissed her - our last kiss.
I'd found the love
that I knew I had missed.
Well now she's gone,
even though I hold her tight.
I lost my love - my life-
that night.»**


*«Nadar», dos Black Company, um grupo rap da Margem Sul (de Lisboa), criado nos anos 80, considerados hoje como os avós do hip-hop português. Este tema provem da primeira colectânea do grupo, intitulada Rapública (lançada em 1994).
** Os Pearl Jam popularizaram, no final dos anos 90, a música que Wayne Cochran escrevera em 1962. Os norte-americanos Pearl Jam, o expoente máximo do grunge, foram, nos anos 90, uma das bandas mais populares entre os jovens.

18.10.10

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na Universidade de Aveiro, em Maio 2011

ver mais informações em http://europe-nations.web.ua.pt/

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SARAIVA, António José - Cultura. Colecção O que é? Lisboa: Difusão cultural 1993

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