29.11.10

Crónicas torrejanas 8_ Em exibição no Estúdio Alfa



Nos anos 80, surgiram uns filmes de apanhados (realizados na África do Sul) chamados Gente Gira (Funny People). Foi este o primeiro filme que vi no novíssimo cinema de Torres Novas, o Estúdio Alfa, situado no Hotel dos Cavaleiros, na Praça 5 de Outubro. O Gente Gira era uma trilogia e creio que o que vi foi o segundo (de 1989). Não tenho a certeza da data de inauguração do Estúdio Alfa, mas há-de ter sido em finais de 80/inícios de 90. Durante a década de 1990, passada a era do cine-teatro Virgínia (onde assisti à minha primeira sessão de cinema – Branca de Neve, da Disney), este era o cinema dos torrejanos, disso não há dúvidas.
As filas da bilheteira chegavam à Praça 5 de Outubro. Às segundas-feiras era um mar de gente à porta do cinema, porque os bilhetes eram mais baratos nessa noite (aliás como ainda hoje). Lá dentro, uma pequena sala com cadeiras de veludo vermelhas. Havia também um bar onde nos aviávamos nos intervalos de pipocas e chocolates.
Emoções ao rubro, silêncio e apagavam-se as luzes. Às vezes a algazarra entre o público, ainda pouco habituado ao cinema, era tanta que o senhor «pica-bilhetes» tinha de intervir para acalmar os ânimos.
Ir ao cinema era um programa muito especial. Houve uma época em que ia quase todas as semanas. Os anos 90 foram profícuos em grandes êxitos de bilheteira: Philadelphia, Eduardo Mãos de Tesoura, Seven, Forest Gump, Braveheart, Jurassic Park, O Paciente Inglês, Scream, Matrix, Fight Club, Titanic… só para lembrar alguns dos mais vistos e que ficavam em cartaz duas e três semanas, até se esgotar o público.
Amor, ódio, trama, intrigas, humor, terror e suspense povoavam o Estúdio Alfa e invadiam os espectadores. Ficam na memória as cenas de maior impacto e, claro, as bandas sonoras que ficavam tempos infinitos a tocar nas nossas aparelhagens.


I was bruised and battered, I couldn't tell what I felt.
I was unrecognizable to myself.
I saw my reflection in a window, I didn't know my own face.
Oh brother are you gonna leave me wastin' away
On the Streets of Philadelphia.*

*«Streets of Philadelphia», de Bruce Springsteen. Era uma das músicas da banda sonora do filme Philadelphia (1993), um dos primeiros filmes comerciais sobre o HIV/SIDA.


 

17.11.10

infantilidades



Parece que o presidente Obama escreveu um livro infantil,
e depois? O presidente da câmara de Torres Novas também!

(ver notícia aqui)

9.11.10

discuros do Ribatejo

foto JJM; "oliveira"; charneca de alcorochel; 06.11.2010 


Eu sou ribatejana.


No meu Ribatejo não há touros, nem touradas. No meu Ribatejo há olival e figueiral.

Sou do Ribatejo da minha avó Preciosa e do meu avô Zé.

O meu avô nasceu na quinta da Marmela. A família do meu avô já lá vivia quando ele nasceu. Todos os seus irmãos nasceram na quinta. O meu avô era feitor da quinta, sabia de tudo sobre as árvores, as colheitas e os trabalhadores. O meu avô morreu quando eu tinha 6 anos. Nessa altura, eu não sabia o que era o Ribatejo, nem sabia bem quem ele era. Por isso, não tive tempo para lhe perguntar o que hoje gostaria de saber sobre a quinta, os trabalhadores, os campos e a vida do seu tempo. E assim, fiquei sem saber…

A minha avó nasceu nas Moreiras Grandes, lá para a ponta norte do concelho. Desde os seis anos que trabalhava, ora no campo, ora a servir em casa dos “senhores”. A minha avó conhecia a terra como ninguém (ou como todos do seu tempo e espaço), andava na apanha da azeitona, das passas, nas vindimas… Andou a apanhar figos grávida do meu pai e quase que dava à luz debaixo de uma figueira.

O meu pai (o filho da Preciosa e do Zé) e a minha mãe, cuja família paterna fazia parte dos ranchos de barrões vindos das bandas de Ansião, já pouco sabem do que se passa no campo. Mas gostam do cheiro e da calmaria dos ares campestres. Compraram terras na ponta mais a sul do concelho, mas o meu pai não gosta de lhes tocar. Ainda assim, o olival estende-se pelo terreno e as figueiras esgalgueiram-se, indiscriminadamente, pela terra amanhada por um vizinho que podia ser o meu avô.

Ao ver as árvores cobertas de fruto, não pude deixar de me envolver. Convocámos a família e fizemos a apanha da azeitona, o melhor que sabíamos, entre torrejanos e barrões. Fizemos renascer o espírito dos mortos em cada ramo de oliveira que ripámos. Aprendi que a terra faz-nos bem, abre o apetite e regenera.

Este é o meu Ribatejo. Esta sou eu.

4.11.10

o belo, o amor, Platão e o Banquete


No Banquete, de Platão, fala-se do Amor e do Belo...
o amor por um belo corpo, em seguida pelos belos corpos,
depois pelas belas almas e
pelas belas virtudes o que
conduz à redescoberta do Belo em si

2.11.10

fim-de-semana, belas paisagens, amigos, cañas e copos de vinho... o que há de melhor na vida?

foto de helderfsimões, san xenxo, galicia, 1 de Novembro 2010


«Ondas do mar de Vigo,

se vistes meu amigo!

E ai Deus, se verrá cedo!



Ondas do mar levado,

se vistes meu amado!

E ai Deus, se verrá cedo!



Se vistes meu amigo,

o por que eu sospiro!

E ai Deus, se verrá cedo!



Se vistes meu amado,

por que hei gran cuidado!

E ai Deus, se verrá cedo!»

Cancioneiro da Biblioteca Nacional, 1278