25.2.12

Dos confins do tempo


Esta tarde estou encerrada no museu municipal.
De x em x minutos ouvem-se estalidos e pequenos rebentamentos que, segundo o que me disseram, são as madeiras das vitrinas que vão dando de si... no entanto, inconscientemente, assusto-me sempre com estas "explosõezinhas". É inevitável!
Pensar que aqui estou, entre os cacos pré-históricos, as imagens medievais e as tábuas quinhentistas das igrejas da vila... o que já presenciaram estes quadros, que confissões ouviram? E aqui mesmo ao meu lado, ergue-se um elmo de um guerreiro medieval, encontrado na escarpa do castelo. Que homem ali enfiou a cabeça? E o que lhe passaria pela cabeça naquela altura? Estaria apaixonado, estaria feliz, triste, bem-disposto, aflito para fazer chichi...
Eu e os objectos de outrora, neste museu, esta tarde...  a sentir dentro de mim as movimentações do futuro e a ouvir o crepitar do passado. 

20.2.12

Da gravidez


Para muitas mulheres a gravidez é um estado de graça, de maravilha, de estupefacção em relação ao mundo e ao “milagre da vida”.
Para mim, é uma espécie de puberdade em que temos de conviver com as mudanças do corpo e da mente, vivendo um turbilhão de emoções (da euforia à melancolia). A cada dia que passa o corpo muda – avança mais um centímetro aqui, estica um pouco dali, a barriga empina-se torna-se cada vez mais proeminente – e com estas mudanças o cérebro embrulha-se em mil questões cujas respostas nem sempre são possíveis de esclarecer, pelo menos a curto prazo.
A gravidez surge, para mim, como um momento de reflexão, de introspecção. Um tanto distante do deslumbramento sobre o acontecimento, sinto-me intrigada, e por vezes intimidada, pela falta de controlo sobre as mutações que ocorrem no meu corpo e que se prevêem que venham a ocorrer na minha vida.
Talvez este seja o encanto da gravidez: fazer reposicionar-me no mundo (no meu mundo); repensar-me e reaprender-me. E talvez esta abertura ao devir seja eu a entrar, com jeitinho, nos enredos da maternidade.


Este é um post meu, só meu. Não é nenhuma tese sobre o assunto; não estou a fazer doutrina, não quero convencer ninguém sobre desta minha forma de sentir este momento. É um post que aqui deixo, simplesmente, por necessidade de partilhar com outros este meu sentir.