20.2.12

Da gravidez


Para muitas mulheres a gravidez é um estado de graça, de maravilha, de estupefacção em relação ao mundo e ao “milagre da vida”.
Para mim, é uma espécie de puberdade em que temos de conviver com as mudanças do corpo e da mente, vivendo um turbilhão de emoções (da euforia à melancolia). A cada dia que passa o corpo muda – avança mais um centímetro aqui, estica um pouco dali, a barriga empina-se torna-se cada vez mais proeminente – e com estas mudanças o cérebro embrulha-se em mil questões cujas respostas nem sempre são possíveis de esclarecer, pelo menos a curto prazo.
A gravidez surge, para mim, como um momento de reflexão, de introspecção. Um tanto distante do deslumbramento sobre o acontecimento, sinto-me intrigada, e por vezes intimidada, pela falta de controlo sobre as mutações que ocorrem no meu corpo e que se prevêem que venham a ocorrer na minha vida.
Talvez este seja o encanto da gravidez: fazer reposicionar-me no mundo (no meu mundo); repensar-me e reaprender-me. E talvez esta abertura ao devir seja eu a entrar, com jeitinho, nos enredos da maternidade.


Este é um post meu, só meu. Não é nenhuma tese sobre o assunto; não estou a fazer doutrina, não quero convencer ninguém sobre desta minha forma de sentir este momento. É um post que aqui deixo, simplesmente, por necessidade de partilhar com outros este meu sentir.

4 comentários:

Patricia disse...

Olá :) é interessante ler o que escreveste!
Toda a vida "lutei" contra o excesso de peso! Não sou obesa, mas nunca fui magricela! Toda a gente me dizia: "que sorte, estás grávida e podes comer tudo! Tens tempo para pensar em emagrecer!"
... e eu não senti nada assim!
Foi um tempo de total descontrolo sobre o meu corpo!
... de me olhar ao espelho e não reconhecer a minha figura!
Posso dizer que só comecei a "curtir" a minha barrigona mais para o final da gravidez, a partir dos 7 meses, altura em que era já bem evidente, proeminente, redondissima! Até lá, todos os dias me sentia estranha, dentro de um corpo que não era (ou não me parecia) meu, sem qualquer controlo!
Hoje tenho pena de não ter gozado mais, disfrutado mais, logo desde o inicio! :)
Boa sorte!

marga disse...

Obrigada pelo teu comentário, patrícia.Penso que muitas vezes temos dúvidas e sentimentos contraditórios sobre as sensações e emoções da gravidez. Parece que é incorrecto pensarmos no desconforto e nos pontos negativos da coisa, fica mal aos outros, parece que estamos a renegar a nossa condição de mães.. mas não é nada disso. É simplesmente assumir que a gravidez e a maternidade não são um "sonho cor-de-rosa". São simplesmente a vida real, com coisas boas e menos boas... Abraço e tudo de bom para ti.

marteodora disse...

Marga, minha querida,
sente, sente, sente e usufrui bastante esse estado (redondo, giro, perfeito), que é único, seja lá quais forem as razões que cada mulher encontra nisso.
Beijos, muitos beijos para ti.

marga disse...

vou sentindo, cada vez mais... é incrível, inacreditável que eu tenho outra pessoas aqui comigo. O que eu respiro, ele respira; o que eu como, ele come; o que eu sinto, ele sente... é o clímax do estado natural; o êxtase... estar prenhe (de vida) é por isso estranho, intrigante e fascinante.