25.2.12

Dos confins do tempo


Esta tarde estou encerrada no museu municipal.
De x em x minutos ouvem-se estalidos e pequenos rebentamentos que, segundo o que me disseram, são as madeiras das vitrinas que vão dando de si... no entanto, inconscientemente, assusto-me sempre com estas "explosõezinhas". É inevitável!
Pensar que aqui estou, entre os cacos pré-históricos, as imagens medievais e as tábuas quinhentistas das igrejas da vila... o que já presenciaram estes quadros, que confissões ouviram? E aqui mesmo ao meu lado, ergue-se um elmo de um guerreiro medieval, encontrado na escarpa do castelo. Que homem ali enfiou a cabeça? E o que lhe passaria pela cabeça naquela altura? Estaria apaixonado, estaria feliz, triste, bem-disposto, aflito para fazer chichi...
Eu e os objectos de outrora, neste museu, esta tarde...  a sentir dentro de mim as movimentações do futuro e a ouvir o crepitar do passado. 

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