24.7.12

bio_grafia imaginada

niteroi-br, julho 2009, foto marga

Gustavo Durand Henriques e Cunha nasceu num barco, algures entre a Noruega e a Inglaterra. Filho de mãe francesa, de educação neo-liberal, e de um marinheiro português, veio, passados 72 anos assentar arraiais no Entroncamento onde adora jogar ténis no court do Parque do Bonito e andar de bicicleta pelas ruas planas da cidade.
Gustavo teve uma infância feliz na companhia dos seus pais, quase sempre no mar. Aprendeu a ler e a escrever com a mãe, que falava três idiomas fluentemente, e todos os truques práticos da arte de navegar com o pai. Mas a sua inspiração estava nas grandes paisagens, no mar e nas cores do céu, que visto do mar dizem que é mais azul.
Foi, por isso que, em 1955 entrou no curso de fotografia da Universidade de Southampton, onde também estudou cinema. A curiosidade e a imaginação fértil que, ainda hoje lhe são tão caras, aguçavam a sua forma de olhar o mundo e tornavam as suas fotografias únicas, sempre surpreendentes. Da teimosia resultaram dias e dias à espera de ângulos perfeitos e nem sempre conseguidos.
Dos anos a estudar em Inglaterra ficou o gosto pela língua inglesa e a dificuldade em cumprir regras, sobretudo no que diz respeito às finanças. Nos anos em que esteve em Southampton vivia de trabalhos precários em pubs e hotéis mas nunca foi bom a administrar os seus dinheiros. As poupanças eram sempre escassas e quando as havia eram imediatamente investidas em excessos! Aliás, regras e matemática nunca foram o seu forte!
Em 1962, através de um anúncio afixado no placard da Universidade, candidatou-se a um emprego na Televisão Espanhola. Obteve a melhor classificação nos testes de admissão e nesse ano rumou a Madrid, cidade onde viveu até ao ano passado.
Foi em Madrid que conheceu Mercedes Rodriguez, cantora de flamenco que arrebatou corações nos tablaos sevilhanos nos anos 60 e 70, a mãe das suas 3 filhas, bem conhecidas dos leitores da Hola! – Preciosa, Salomé e Maria Grabriela. Mercedes foi o seu grande amor. Viveram juntos cerca de 40 anos. Receber o casal Rodriguez-Cunha em casa era sinónimo de festa! Talvez por isso fossem tão invejados por todos os que os rodeavam. A sua felicidade transbordava.
Foi pelo seu ojo especial que o mundo o ficou a conhecer. Isto é, apesar da vida afectiva repleta de emoções, foi a fotografia que lhe trouxe fama e reconhecimento do público. São, sobretudo as fotografias registadas aquando os movimentos estudantis em Maio de 1968, em Paris, que correm o mundo e revelam o seu talento.  As imagens de Gustavo valiam mais que muitas palavras e nelas se lia “Liberdade” em todas as nuances.
Da educação cosmopolita e das vivências de quase 45 anos como fotógrafo freelancer e operador de câmara da TV espanhola, ficaram-lhe o gosto pelas tertúlias e pelas saídas com os amigos e, em especial, com as amigas! Esbanja charme por onde passa e simpatiza às primeiras: “sempre foi assim” - diz Gustavo com um sorriso malandro.
No ano 2007, perdeu a sua Mercedes, que morreu vítima de cancro, e decidiu embarcar numa viagem sem rumo de comboio pela Península Ibérica. Numa dessas viagens, apesar da sua idade madura, apaixonou-se por Maria Clara, de forma reveladora, erótica e arrebatadora. Maria Clara é maquinista, tem 39 anos e vive no Entroncamento, num pequeno apartamento que agora divide com Gustavo.
Quando Maria Clara está fora, em viagem, Gustavo não se deixa invadir pela solidão nem pela nostalgia de um passado tão repleto de vida… mergulha na sua paixão pela imagem. Imagens e sons preenchem o seu universo e, por isso, afirma frequentemente que não gosta de ler. Diz que “as letras lhe toldam a vista”. Navega, então, simplesmente, em imagens e sons que só a sua fotografia e a arte de fazer filmes conseguem reproduzir.

1 comentário:

*Pérola* disse...

:)

LINDO.

Força nisso. BeijOooOO